sexta-feira, 16 de março de 2012

Confio nos compromissos do Brasil, diz Blatter após rusga com governo

A presidente Dilma Rousseff e o presidente da Fifa, Joseph Blatter, pregaram união para fazer a Copa no Brasil, após a crise provocada pelo secretário-geral da entidade Jérôme Valcke, autor do "um chute no traseiro" do país.

Depois da reunião de uma hora nesta sexta-feira, Blatter insinuou sobre a Inglaterra sediar a Copa-2014, mas afirmou que confia no Brasil para realizar o evento em "harmonia" com a Fifa e recebeu garantias de que os compromissos firmados em 2007, o que inclui a venda de bebidas nos estádios, estão mantidos.




Pelé, Blatter, Dilma, Aldo Rebelo e Ronaldo durante encontro em Brasília
Pelé, Blatter, Dilma, Aldo Rebelo e Ronaldo durante encontro em Brasília

"Tem algumas pessoas que dizem que até a Inglaterra poderia sediar essa próxima Copa, mas um país como o Brasil, que é do futebol, que vive e respira futebol, é muito importante ter essa Copa aqui e temos certeza que será um grande evento", disse Blatter.

Por duas vezes, contudo, o dirigente falou que a reunião com Dilma demorou para ser marcada e pediu que houvesse encontros mais frequentes.

A liberação de bebida alcoólica na Copa-2014, uma polêmica que levou o governo a cometer erros nos últimos dias, está garantida, segundo Blatter. "Não entramos em detalhes [sobre a Lei Geral da Copa], mas a presidente Dilma me garantiu que vai cumprir o acordo e eu confio nela", disse o presidente da Fifa.

Apesar do tom de união, Blatter se recusou a responder à imprensa sobre o pedido do governo brasileiro para que Jérôme Valcke, do "chute no traseiro", não fosse mais o interlocutor entre o Brasil e a entidade.

"Esse é um assunto interno. Valcke continua na Fifa e esse é um problema que o presidente vai resolver", afirmou o dirigente. Perguntado qual seria a solução, Blatter se esquivou: "Vocês poderiam me dar mais tempo para eu poder resolver?", disse.

Em nome do governo, o ministro Aldo Rebelo (Esporte) também falou em união. "Foi uma reunião construtiva de trabalho, com o objetivo comum de harmonia e cooperação para organizar a Copa. O governo está empenhado em cumprir o acordo com a Fifa".

Embora tenha elogiado abertamente Dilma, Pelé e o ex-jogador Ronaldo, atual diretor no Comitê Organizador Local, Blatter disse que o ministro Aldo Rebelo (Esporte) é a "pessoa mais importante" da organização da Copa-2014.


Sérgio Lima/Folhapress
A presidente Dilma Rousseff recebe presente do presidente da Fifa, Joseph Blatter
A presidente Dilma Rousseff recebe presente do presidente da Fifa, Joseph Blatter

Foi justamente Aldo Rebelo que disparou telefonemas a deputados, depois do acordo para tirar a liberação de bebida alcoólica da Lei Geral da Copa, para cobrar que o compromisso com a Fifa fosse mantido de vender cerveja nos estádios. Aldo também foi autor da carta que pediam a saída de Valcke.

Blatter ainda minimizou a saída de Ricardo Teixeira do Comitê da Copa. Teixeira e Blatter tornaram-se desafetos após o brasileiro apoiar outro candidato na eleição da Fifa.

"No que concerne à mudança da presidência da CBF e do Comitê Organizador Local, temos novas pessoas. E é uma transformação natural que acontece em todo mundo", disse o presidente da Fifa.

RICARDO TEIXEIRA

Blatter minimizou a saída de Ricardo Teixeira do Comitê da Copa e da CBF no último dia 12. Ambos tornaram-se desafetos após o brasileiro apoiar outro candidato na eleição da Fifa.

"No que concerne à mudança da presidência da CBF e do Comitê Organizador Local, temos novas pessoas.e é uma transformação natural que acontece em todo mundo", disse o presidente da Fifa.

Fonte/Folha

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