Aos 35 anos e com história em importantes clubes do país, jogador do Alecrim é o único do Rio Grande do Norte a integrar o Bom Senso FC
Há 20 dias, um movimento intitulado de Bom Senso FC invadiu o cenário do futebol cobrando melhorias para a prática do esporte no Brasil. O estopim para a manifestação dos jogadores – encabeçada por Alex, Seedorf, Paulo André, Rogério Ceni, Juninho Pernambucano, Dida e Cris - foi a divulgação do calendário da CBF do próximo ano, que diminuiu ainda mais o tempo de pré-temporada das equipes. O horário dos jogos, assim como a quantidade de partidas por ano também estão entre as reivindicações. Ao todo, 75 atletas assinaram o documento entregue à CBF, que contou também com cerca de 300 adesões. Aqui no Rio Grande do Norte, apenas um declarou apoio ao movimento: Ruy Cabeção.
“Aqui o que desgasta muito é a questão da viagem. A diferença da gente para a Europa está nas distâncias que são percorridas, porque o Brasil é muito grande”, destaca. “No nosso país a gente também tem muito problema com relação à estrutura e aos voos”, conclui.
Apesar de o movimento ter surgido há 20 dias, Ruy explica que desde o início da carreira buscava debater decisões impostas por dirigentes e que desde cedo teve uma boa relação com o meia Alex – um dos líderes do movimento. “Eu, por ter estudado, tinha algumas ideias que no meio do futebol eram polêmicas. Justamente porque os diretores e presidentes de clubes eram muito bem estudados e acabavam ‘pisando na cabeça’ dos jogadores e eu nunca aceitei isso”, diz.
A adesão de Ruy ao movimento pode parecer estranha, já que o jogador hoje não atua em um calendário apertado. Atualmente ele disputa apenas a Taça Ecohouse, criada pelo Alecrim. Essa motivação, no entanto, é reflexo dos dez anos em que atuou na Série A. No Figueirense, por sinal, o lateral disse que chegou a ficar cerca de três meses concentrado, quando o time se classificou para a final da Copa do Brasil de 2007.
“Diminuir o tempo da pré-temporada mexeu em uma ferida nossa. Todo mundo torce pelos seus trinta dias de férias. E nós, jogadores, passamos muito tempo fora de casa”, diz.
O meia acredita que o movimento pode ser um marco na história do futebol no Brasil e cobra participação de jogadores renomados na causa. “Parece que nossa classe está se unindo mais. Infelizmente eu estou mais perto de parar. Mas que a gente sirva para abrir caminhos. Ex-atletas que estão acima de mim não estão conseguindo”, diz. “A gente não vê o Ronaldo se pronunciar. Não vê o Bebeto falar nada. O único que se manifesta é o baixinho. É por isso que o Romário é diferenciado”, finaliza.
Apesar das 75 assinaturas e 300 adesões, Ruy acredita que o número de participações poderia ser maior. “Eu só lamento mais uma vez que 100 % dos atletas no Brasil não tenham assinado esse documento”, diz. “O jogador de futebol, às vezes está muito preocupado com ‘o dele’. Querem pegar o dinheiro deles, gastar ali e só”, alega.
Fonte/NovoJornal

Nenhum comentário:
Postar um comentário