Conhecido no futebol cearense como "Bocão", devido a sua incapacidade de deixar de dizer o que pensa, o treinador Arnaldo Lira afirma que chegou ao Horizonte de cabeça fria e com um objetivo bem claro: voltar a treinar um dos grandes da Capital
O Galo do Tabuleiro deve repetir a escalação utilizada na vitória sobre o São Benedito, na estreia da equipe no Campeonato Cearense
FOTO: KID JÚNIOR
O primeiro desafio foi iniciar um projeto sem queimar etapas. Ou seja, começar o trabalho em uma equipe, desde a pré-temporada até a montagem do elenco. A oportunidade foi dada no Horizonte. Após os últimos preparativos para o segundo jogo do Campeonato Cearense de 2015, hoje, ante o Icasa, no Domingão, Lira conversou com a reportagem e revelou que dirigir os grandes clubes da Capital ainda estão em seus planos.
"Tenho vontade de voltar a comandar Ceará ou Fortaleza. Assim como quero sentir o gosto de ser campeão novamente. Se eu pegar os grandes clubes da Capital, a possibilidade de acesso é muito maior. Consegui ser campeão com o Bahia de Feira, no Campeonato Baiano de 2011. Isso mostra que tenho competência. Tinha uma folha de R$ 100 mil e conquistei o título em cima de uma equipe com uma folha de R$ 4 milhões. Tudo é questão de oportunidade", argumenta ele.
Afirmação
Apesar do título importante na Bahia, de um tricampeonato conquistado no futebol maranhense e da conquista do tetracampeonato pelo Ceará em 1999, Arnaldo Lira ainda não conseguiu embalar como técnico. Ele enumerou alguns fatores que, de alguma forma dificultaram o seu crescimento na área.
"Ser técnico de futebol não é uma carreira. Na verdade, é como se fosse um cargo de confiança. Um exemplo é o técnico Dunga na Seleção Brasileira. Tinha tantos treinadores a sua frente e o escolhido foi ele. É uma série de fatores. Só sei que no meu trabalho dentro de campo não fico devendo a ninguém. Com certeza venho fazendo um bom trabalho", destaca.
O fato de o técnico falar o que pensa, entrando em conflito com muitos dirigentes, para ele, também influenciou negativamente. "Sem dúvida que isso pesou. Não me preparei para ser politicamente correto. Isso atrapalhou no início da minha carreira porque fiquei com aquela fama de querer mandar em tudo, fama de durão. Mas agora é pensar no futuro. Estou em uma nova fase e muito esperançoso com 2015. Peço a Deus para que eu faça um grande trabalho aqui na equipe do Horizonte", lembra.
Arrependimento
Arnaldo Lira tem acumulado várias brigas desde que estreou como técnico do CRB/AL, há 21 anos. Confusões em campo, bate-boca com dirigentes e demissão em momentos decisivos foram alguns dos contratempos enfrentados. Ele reconhece que houve exageros e que a história poderia ser outra, se tivesse mais um pouco de paciência para lidar com as situações.
"Me arrependo, sim, de algumas situações vividas no futebol. Em alguns casos, deveria ter um pouco mais de calma para resolver. Eu deixei o Ceará quando o time estava próximo do acesso à Série A, porque achei que havia algumas coisas erradas. O mesmo ocorreu no CRB de Alagoas, que também estava para subir de divisão no Brasileiro. Deixei o clube porque não concordei com uma atitude que foi tomada pela diretoria. Quer dizer, eram situações que se tivesse alguém ali dizendo para eu ter calma ou coisa do tipo, a história poderia ter sido diferente para esses times", lamenta Lira, que por não ter papas na língua é chamado de "Bocão".
Para Lira, o futebol cearense fez e tem grandes treinadores. Porém, nenhum conseguiu espaço nos grandes clubes da Capital por uma questão de opção das diretorias. "Atualmente, os dirigentes de Ceará e Fortaleza priorizam os técnicos de fora. Tenho que respeitar a decisão e opinião deles. Mas, sem dúvida nenhuma, temos grandes treinadores, que deveriam ser melhor aproveitados", aponta.
O comandante do Galo estreou com vitória no Cearense de 2015. A equipe da Região Metropolitana bateu o São Benedito por 2 a 1, em jogo realizado na última quarta-feira (14), no estádio do Junco.
Fonte/DiáriodoNordeste
Nenhum comentário:
Postar um comentário