sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

"Não vejo outra saída a não ser a falência", diz dirigente de clube do RN

Raimundo Inácio Lobão, presidente do Corintians de Caicó (Foto: Divulgação)Lobão, eleito em 2013 para mandato de dois anos na presidência do Galo.(Divulgação.) O ano de 2015 pode decretar a falência de um dos clubes mais importantes do interior do Rio Grande do Norte, o Corintians-RN. Sem dinheiro em caixa e sem qualquer recurso para montar o time de futebol profissional para a disputa do Campeonato Potiguar do próximo ano, o presidente da entidade, Raimundo Inácio Lobão, disse que amarga uma dívida de quase R$ 70 mil, oriunda do estadual deste ano, e que não sabe como quitar os débitos junto aos comerciantes da cidade de Caicó, na região Seridó do estado. O dirigente do galo do Seridó, Lobão esteve em Natal com a intenção de se reunir com o presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol, José Vanildo, mas o encontro não ocorreu. O presidente da FNF viajou a São Paulo para se reunir com Marco Polo Del Nero, futuro presidente da CBF, e deve retornar à capital potiguar no fim de semana. O objetivo da reunião entre Lobão e Vanildo seria a oficialização da retirada do Corintians do estadual de 2015. Ao GloboEsporte.com, o dirigente do Galo do Seridó lamentou a crise financeira que o clube enfrenta. Segundo ele, a crise já dura seis anos e ainda afirmou que o clube pode decretar falência. Fundado em 1968, o único título estadual da equipe foi conquistado em 2011. Lobão, que está no clube há mais de 20 anos, foi uma das figuras responsáveis pela montagem do elenco campeão daquele ano, ao vencer o América-RN, em Caicó. Contudo, apenas as boas lembranças restaram daquela época. Financiado por políticos locais e por uma empresa de combustíveis potiguar, o Galo se tornou referência no planejamento do futebol e montou um forte elenco naquela temporada, sob o comando do treinador Pedrinho Albuquerque. Estou há 20 anos no Corintians de Caicó e nunca tinha me reparado com uma situação tão crítica como essa. Para ser bem sincero, estamos enfrentando problemas financeiros nos últimos seis anos e não vejo outra saída a não ser a falência. Em 2001, quando fomos campeões estaduais, por exemplo, eu atuava como diretor de futebol, mas tomava conta do clube. Nessa época, tínhamos mais empresários e políticos que vivenciavam a rotina do clube. Os torcedores geravam uma pequena receita para o clube, com o pagamento de carnês, uma espécie de sócio-torcedor. Eram bons tempos em que tínhamos recursos para contratar bons jogadores e termos uma estrutura adequada para o clube - recorda. No estadual desse ano, a folha salarial do Corintians era de quase R$ 50 mil, destinada exclusivamente ao pagamento do treinador, da comissão técnica e dos jogadores. O Estádio Marizão, em Caicó, não tinha custos para o clube já que o poder executivo era parceiro. Outra baixa nos recursos do clube foi após o período eleitoral, já que alguns políticos que ajudavam o time não conseguiram se eleger. O político que me ajudava ultimamente não conseguiu se eleger. Ficou ainda mais complicado. Dos empresários de Caicó, poucos ajudavam o clube e o máximo que recebia eram uns R$ 3 mil, que dava para pagar o salário de três jogadores - explica. Futebol "pobre" Sem investimento, o Corintians sofre com a falta de estrutura e de profissionalização do futebol. Por outro lado, Globo FC e Força e Luz fecharam parceria e prometem brigar pelo título do Campeonato Potiguar em 2015. As duas equipes utilizam a mesma estrutura - o Complexo Barretão, em Ceará-Mirim - e recebem o investimento do presidente do Globo, Marconi Barretto. A ausência de parcerias ou de um plano orçamentário que possa atrair dinheiro aos cofres do Galo comprometeu os planos da direção seridoense. Raimundo Lobão lamentou o afastamento dos empresários do clube, que, segundo ele, atuaram com "uma falta de bom senso". O dirigente ressalta que o futebol gera diversas receitas, tanto para os clubes quanto para as empresas, e que não entende o porquê do ausência de investidores. Corintians-RN x ABC, no Marizão (Foto: Ilmo Gomes/Cedida) Corintians-RN enfrentou o ABC, no Estádio Marizão, em Caicó (Foto: Ilmo Gomes/Cedida) Eu fico muito triste e vejo uma falta de bom senso dos empresários potiguares, porque a única coisa que dá visibilidade a uma empresa é o esporte, e, principalmente, o futebol. Atualmente, ter um pouco mais de R$ 40 mil para bancar uma folha de pagamento do clube é complicado, como fizemos esse ano. No fim das contas, eu sempre arcava com um saldo negativo muito grande. Estou com dívidas de R$ 70 mil no comércio de Caicó e não sei como pagar. Como é que vou começar um campeonato devendo o outro? - lamenta Lobão. No final do mês de novembro, a empresa RWS Sports, que havia feito uma parceria com o Corintians, se mostrou interessada em renovar o acordo. No entanto, os problemas que ocorreram em 2013, como a falta de pagamento de alguns jogadores e a quebra de cláusulas contratuais, foram pontos que impediram o novo acerto. Segundo Lobão, o conselho deliberativo do clube votou contra a renovação da parceria, mas os torcedores insistem para que o clube dispute o campeonato, mesmo sem saber o buraco nas finança do clube. Eles (RWS Sports) se interessaram em retomar a parceria e ainda estão tentando, mas está complicado. Eu não tenho tanta confiança, apesar dos torcedores pressionarem para ver o time em campo. Mas como é que eu vou sustentar um time sem dinheiro? - questiona. A decisão oficial sobre a desistência do Corintians só deve acontecer na próxima semana, em encontro entre Lobão e José Vanildo. Caso a saída do Galo do Seridó se confirme, a FNF deve adequar a tabela da competição, que passaria a ter nove equipes. Fonte/Jocaff Souza

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