O departamento jurídico do América entrou ontem (data limite)
com o pedido da contraprova para tentar inocentar o zagueiro Gustavo do
doping e espera a documentação para poder se pronunciar oficialmente. O
defensor está suspenso por 30 dias por ter sido pego no exame
antidoping no empate diante do ABC por 3 a 3 no primeiro jogo da final
do Campeonato Potiguar, no dia 1º de maio, mas alegou inocência em
conversa com o departamento médico.
Enquanto isso não ocorre, o clube age com cautela. Muita,
inclusive. Ontem, o médico do Dragão, Maeterlinck Rego, concedeu
entrevista coletiva para explicar o caso do zagueiro, mas evitou tratar
do nome da substância encontrada na urina do atleta, o que só fará se a
contraprova der positiva e acusar novamente o jogador.
Ele garantiu, no entanto, que não se trata de uma substância de
“natureza social” e que é “completamente diferente do que houve com dois
atletas nossos há anos atrás. Foi uma substância, mas considerada
proibitiva”, se referindo, sem citar nomes, ao atacante Max (suspenso
por uso de cocaína em 2012) e ao zagueiro Luizão (suspenso por uso de
maconha em 2010).
Logo após o clube receber a notificação e ter a garantia de que a
substância não foi referendada pelo departamento médico, Maeterlinck
Rêgo conversou com o atleta para entender a situação. “A primeira que eu
tenho que fazer é conversar com o atleta. Conversei e fiz algumas
perguntas a ele, inclusive de natureza pessoal, de natureza familiar. E
ele não relatou absolutamente nada”, garantiu.
Por isso, o América mantém a cautela e espera o resultado da
contraprova. “Estamos naquele impasse da expectativa da contraprova.
Agora eu não vou falar nada de qual foi a substância. Por uma questão
ética, eu não vou expor o atleta e eu sei que a imprensa tem o trabalho
de informar, mas eu me reservo ao direito de não falar sobre a droga que
foi usada", explicou. "Só após a contraprova, nós vamos ter uma posição
e aí a gente vai falar pra vocês sem nenhum problema”, concluiu o
médico do Dragão.
Gustavo tem 25 anos e chegou ao América no início da temporada. O
jogador foi titular durante todo o primeiro semestre, mas perdeu a
posição exatamente na última rodada, diante do ASA, pela Série C, com o
retorno do zagueiro Cléber ao Alvirrubro.
Ao todo, o defensor fez 24 partidas com a camisa do Dragão – todas
como titular. Apesar disso, nunca foi unanimidade perante a torcida.
Contratado junto ao Gama-DF, ele chegou ao Dragão em janeiro deste
ano com o gabarito de já ter defendido a Seleção Brasileira sub-20 há
alguns anos.
Em Natal, logo após sua chegada, virou titular ao lado de Flávio
Boaventura na defesa do técnico Aluísio Guerreiro e seguiu no time
principal com Guilherme Macuglia no comando. Com a contratação de Sérgio
China para a Série C, boa parte do elenco mudou, mas o defensor
permaneceu. Mais do que isso: virou capitão no início da Terceirona e
marcou o gol da vitória no Clássico-Rei que abriu a competição nacional
para o clube.
No entanto, a defesa sofreu com vários problemas na sequência do
certame: o América tomou gols em todos os jogos disputados depois do
clássico (pelo menos dois por partida) e virou a pior defesa do Grupo A,
o que fez o zagueiro ir para o banco de reservas na rodada passada pela
primeira vez.
Nenhum comentário:
Postar um comentário